Gestão financeira na crise do Coronavírus

Gestão financeira na crise do Coronavírus

Em momentos de crise, a boa gestão financeira mostra ainda mais claramente sua importância. Empresários brasileiros, especialmente os pequenos e médios, devem se preparar para situações de redução de suas receitas, eventuais paralisações em operações e custos não planejados.

Considerando esse cenário desafiador gerado pelo COVID-19, preparamos algumas dicas e medidas que podem ser tomadas por empresas de todos os portes para garantir a sustentabilidade financeira de seus negócios.

 

1 – Planejamento, planejamento e planejamento

 

É em momentos de crise que o planejamento realista das receitas, custos e despesas da empresa torna-se absolutamente indispensável. O exercício de construir um orçamento, ou uma simples projeção de caixa, leva você, empreendedor – e toda a equipe envolvida no planejamento – a pensar de maneira estruturada sobre o negócio, aumentando sua capacidade de preparação e tomada de decisões com potencial impacto financeiro positivo.

Um bom orçamento passa por entender com profundidade a evolução das linhas de receita do seu negócio e os riscos ou oportunidades associados a cada uma delas. É importante também levar em consideração o prazo para o recebimento dessas receitas, por exemplo, se suas vendas são feitas por cartões de crédito, pode ser necessário esperar até 30 dias para o recebimento, ou pagar uma taxa extra para a antecipação dos recebíveis.

Outro ponto fundamental é o planejamento de gastos. Ter clareza dos produtos e serviços que serão essenciais durante esse período é extremamente importante. Por um lado, comprar ou contratar de menos pode prejudicar sua capacidade de gerar receitas e manter as operações, por outro, comprar demais pode custar dinheiro que será precioso mais à frente, especialmente se a crise se prolongar.

Planejar o futuro é complexo, especialmente em um momento único como o que vivemos. Não é possível prever tudo, mas ao definir um rumo e ter velocidade na tomada de decisão, você estará mais próximo do sucesso.

 

2 – Avaliação do que é realmente essencial à operação da empresa

 

Cortar gastos nunca é fácil, especialmente quando sabemos que os pequenas e médios empresários brasileiros já vivem sob fortes restrições de investimentos em seus negócios.  De qualquer maneira, o cenário econômico de recessão impõe que seja feita uma lista de priorização de gastos, passando por compras, prestadores de serviços e até, por mais difícil que seja tocar nesse assunto, pelo seu quadro de funcionários.

O exercício mais importante aqui não é o de o que ou quem será ou não cortado, mas sim de ordenar por prioridade o que deverá ser mantido. No fundo todos sabemos o que é essencial aos nossos negócios, todo o resto deve passar por renegociação.

É importante notar que essa crise tem uma característica de ser muito aguda e muito passageira, isso quer dizer que os planos de longo prazo não devem mudar, apenas passar por um ajuste temporário e isso pode ajudar nas negociações com fornecedores e funcionários.

Esse é o momento de dar um passo para trás para dar outros para frente no futuro.

 

3 – Atenção à medidas de bancos, governos e outras entidades

 

Nos últimos dias, muitas entidades setoriais, os governos federal e estaduais e autarquias vinculadas a eles anunciaram medidas de estímulo, as principais são:

 

Medidas do Governo Federal

 

a – postergação do pagamento das guias DAS para empresas optantes pelo simples;

b – postergação do pagamento das grfgts (Guias de Recolhimento do FGTS);

c – facilitação dos procedimentos para a concessão de férias coletivas. Aviso prévio 48 horas, ao invés de 15 dias, como previsto na legislação;

d – redução da jornada com cortes de salários;

e – redução de 50% na alíquota de INSS Patronal – Outras Entidades;

f – dispensa de aumento do provisionamento legal dos bancos em casos de renegociação de dívidas de negócios em dificuldades decorrentes do Coronavírus;

g – diminuição do compulsório, de 31% para 25% dos depósitos a prazo, liberando até R$ 135 Bilhões para injeção de liquidez na economia;

h – liberação de R$ 5 bilhões pelo Programa de Geração de Renda (Proger), mantido com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) a serem repassados pela CEF e Banco do Brasil;

i – corte de 0,5% p.p. na SELIC;

 

Medidas dos bancos

 

a – Nota da Febraban abre a possibilidade para micro e pequenos empreendedores renegociarem as parcelas de seus financiamentos que vençam nos próximos 60 dias;

b – Pedro Guimarães, presidente da CEF divulgou medidas de redução de juros e novas linhas para pessoas físicas, micro e pequenas empresas;

c – Bradesco e Itaú anunciaram repasse do corte de juros feito pelo BC aos seus clientes;

d – Doria anuncia R$ 225 milhões em créditos a serem concedidos através do Banco do Povo e da Desenvolve SP com taxas de juros reduzidas para estímulo à economia de SP;

 

4 – Economias a partir do uso eficiente do Home Office

 

O Home Office é uma oportunidade de testar novos modelos de trabalho remoto. Especialmente empresas de serviços, nas quais o trabalho é desenvolvido pelo colaborador sem a obrigatoriedade do uso de máquinas e equipamentos específicos da empresa, podem encontrar economias na aplicação do home office. Desde as mais óbvias, relacionadas à estrutura física, até outras mais criativas, como o ganho de eficiência gerado por reuniões mais curtas e objetivas (quem nunca participou de uma reunião que poderia ter sido um e-mail) e o ganho de tempo dos colaboradores relacionados ao deslocamento até o local de trabalho.

 

5 – Antecipação de férias de funcionários e banco de horas;

 

Empresas de serviços, comércio e até algumas  indústrias podem usar o advento das férias coletivas para reduzir custos. Esse mecanismo antecipa as férias dos funcionários, “guardando” o tempo para o momento pós-crise. Outra estratégia seria adaptar a jornada dos times usando bancos de horas acumulados em outros momentos. Isso poderia reduzir a pressão de pagamentos trimestrais de horas extras, como previsto em muitas convenções coletivas.

Uma das medidas anunciadas pelo Governo Federal vai nessa linha, diminuindo o prazo de comunicação prévia obrigatória de 15 dias para apenas 48 horas, dando flexibilidade às empresas para acionarem esse mecanismo em caso de necessidade.

 

6 – Preservação do caixa

 

Nesse momento, mais importante que ser rentável, é que sua empresa gere caixa e esteja preparada para os próximos 2-3 meses. Sendo assim, é importante que sua empresa privilegie o recebimento rápido em relação à rentabilidade. Para isso podem ser usadas ferramentas como a antecipação de recebíveis feitas tanto por operadoras de cartões quanto por bancos, no caso de outros tipos de recebíveis. Renegociar contratos com fornecedores e privilegiar  compras a prazo são boas estratégias para proteção do caixa, mesmo que o custo final dos produtos ou serviços seja um pouco mais alto.

Outras estratégias como a venda de ativos não essenciais e a realização de promoções poderão ser utilizadas para aumentar o giro de estoque e trazer receita. Além disso, pode-se pensar em formas de adaptação do modelo de negócios, como vários restaurantes fizeram nos Estados Unidos, deixando abertas apenas as opções de Peg&Leve e fechando seus salões.

Nos últimos dias, grandes empresas têm tomado recursos no mercado na forma de dívida. A AB INBEV e a Kraft Heinz, do empresário Jorge Paulo Lehman, tomaram juntas 16 bilhões de dólares em novos financiamentos. A aposta por trás dessa decisão é a de que vale mais a pena passar pela crise com recursos em caixa e pagar os juros do que correr risco de ficar sem dinheiro para fazer frente às obrigações assumidas.

StartUps e empresas de tecnologia que ainda não são rentáveis, costumam tratar esse assunto com detalhe. É comum o uso do termo “runway”, ou o quanto de “pista” a empresa ainda tem até que seja necessário captar novos recursos. Essa lógica pode ser aplicada a negócios de todos os segmentos como mais uma ferramenta de tomada de decisão para momentos de limitação de caixa.

Por fim, a aplicação dessas dicas, embora não dependa de um executivo de finanças, é muito acelerada quando feito por especialistas. A Sinapse Finance é uma consultoria especializada em gestão financeira para pequenas e médias empresas focada em entregar gestão de qualidade a preço baixo. 

O time da Sinapse Finance está à disposição para ajudá-los a passar por esse momento delicado com o mínimo impacto possível.

Continue acompanhando nosso blog e redes sociais para mais atualizações.

Até a próxima!

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